segunda-feira, 29 de dezembro de 2014




ALFABETO BRAILLE





As letras em Braille são formadas a partir da combinação de seis pontos que compõem o que é chamado de cela Braille. A cela é formada por duas colunas e três linhas de pontos. A localização dos pontos é dada de cima para baixo, primeiramente na coluna da esquerda, pelos pontos 1, 2, 3 e posteriormente na coluna da direita pelos pontos números 4, 5 e 6. Cada combinação de pontos em relevo forma, portanto, determinada letra ou sinal de pontuação. A letra C, por exemplo, é formada pelos pontos 1 e 4, como mostra a Figura 1.


Seguindo o modelo da Figura 1: os círculos em negrito representam os pontos da cela Braille. A combinação desses pontos formam 63 caracteres que simbolizam as letras do alfabeto convencional e suas variações como os acentos, a pontuação, os números, os símbolos matemáticos e químicos e até as notas musicais. Para os cegos poderem ler números ou partituras musicais, por exemplo, basta que se acrescente antes do sinal de 6 pontos um sinal de número ou de música.


Abaixo temos o exemplo de algumas palavras escritas em Braille:

bala, nada, perfume, pé, vida, amor.













Para a alfabetização, deve-se utilizar diversos tipos de materiais concretos. É interessante também a utilização de materiais de sucata onde elas possam colaborar na confecção; além de motivar a criança ainda auxilia no desenvolvimento e refinamento tátil...

Celas Braille confeccionadas com material de sucata:







Está escrito: capa








Está escrito: ba











Está escrito: la








Fonte: http://dvsepedagogia.blogspot.com.br/2011_05_01_archive.html


Quando a criança cega, não apresenta outros comprometimentos, possui uma boa memória, considera-se necessário que se trabalhe os sentidos: o tato, a audição, o olfato e o paladar. O diálogo também é importante, pois a partir dele a criança conseguirá fazer abstrações e tentar compreender o mundo com suas subjetividades. Para que isso aconteça, o mundo e as coisas que estão em torno da criança deverão ser bem descritos para que possam fazer uma imagem que mais se aproxime do real.








RECURSOS PARA ALFABETIZAÇÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL


Os recursos didáticos são de suma importância na educação de pessoas cegas, são meios fundamentais à autonomia e integração, com o objetivo de permitir o exercício das atividades cotidianas e participação na vida escolar, profissional e social.

A carência de material adequado pode conduzir a aprendizagem da criança a um mero verbalismo desvinculado da realidade, pois a formação dos cegos depende do contato com o mundo necessitando de motivação. Alguns recursos podem auxiliar no aprendizado, o manuseio de diferentes materiais, possibilita a percepção tátil e auxilia a realizar suas aprendizagens mais eficientemente. A baixo segue alguns exemplos de recursos que é possível visualizar na montagem de fotos:


  • Impressora Braile: A impressora Braile imprime o texto digitado no computador, usando a grafia Braile.
  • Sorobã: Outro recurso utilizado no universo da deficiência visual é o sorobã ou ábaco, voltado para o ensino de Matemática. É um aparelho de cálculo de procedência japonesa, adaptado para o uso de deficientes visuais.
  • Reglete: Tem como função o aprendizado da escrita Braille, consiste numa prancha e uma régua com duas linhas com janelas correspondentes às celas braile. Essas janelas se encaixam na prancha pelas extremidades laterais. Para escrever, o papel é introduzido entre a prancha e a régua e basta pressionar o papel com o punção, obtendo assim os pontos em relevo. Existem modelos de mesa ou de bolso
  • Programas sintetizadores de voz: São utilizados pelo deficiente visual no que se refere à recursos. Os leitores de tela, que concedem um alto nível de inclusão ao deficiente visual/cego. Conforme pesquisa realizada os mais utilizados são: Sistema Operacional DOSVOX e NVDA (NONVISUAL DESKTOP ACCESS).
  • DOSVOX: A primeira versão do sistema (versão 1.0) foi desenvolvida em 1993 pelo Antônio Borges e Marcelo Pimentel. Ele conta com mais de 10000 usuários em todo o Brasil. Pode ser baixado e instalado gratuitamente nos computadores. Conheça o projeto DOSVOX: HTTP://intervox.nce.ufrj.br/dosvox
  • NVDA:  O programa proporciona resposta através de voz sintética e Braille, permite que pessoas cegas ou com baixa visão tenham acesso a computadores. É desenvolvido pela NV Access com contribuições da comunidade. Além disso, é um leitor de tela de código aberto, isto é, pessoas podem fazer mudanças para melhorar o software desde que saibam programar em PYTHON.
  • Site oficial: http://www.nvda-project.org



  • Bengala: Acessório que ajuda o cego a se locomover.

  • Alfabeto Braile:
  • Livro braile.
Fonte: http://alfacegos1.blogspot.com.br/2013_04_01_archive.html



ESTRATÉGIAS DO ENSINO DE ALFABETIZAÇÃO PARA CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL




ALFABETO - BRAILLE
"Todos temos consciência de que um professor não deve ser um mero repassador de informações, um simples repetidor de modelos já experimentados e de conteúdos diversos. Seu papel é muito mais relevante. Exige-se desenvoltura, de sua prática pedagógica, impõe-se uma compreensão exata e profunda do ofício que exerce. Por isso, acredita-se que não existe uma receita pronta de qual a melhor maneira de alfabetizar, principalmente em se tratando de pessoas que requerem uma metodologia ainda mais diversificada." Levando em conta o estudo Piagetiano, que demonstra que a função cognitiva de crianças portadores de deficiência visual desenvolve-se bem mais lentamente, comparando-se com o desenvolvimento de crianças videntes podemos afirmar que o educando deve primeiro estar consciente da grandeza e da complexidade dessa empreitada. Deve ser um observador severo e ficar atento à trajetória evolutiva do aluno que está em suas mãos, mostrando-se um estudioso permanente da área educacional em que atua e acredita. 

Antes de mais nada é preciso salientar que o professor alfabetizador deve ter uma formação diversificada e sólida para que possa compreender os mecanismos desse trabalho. Embora saibamos que muito pouco se tem feito a esse respeito, o da qualificação profissional, muitos profissionais procuram por meios diferentes formas de se capacitarem, bem como algumas instituições têm feito parcerias com ONGs e outros tipos de instituições para um atendimento mais qualificado à esse educador tão especial. 

O trabalho com esse tipo de alfabetizando requer do professor uma percepção mais sensível do processo evolutivo em que ele está. Deve lembrar que muitas vezes a criança chega em suas mãos em estado bruto e que está a espera de uma lapidação para mostrar o seu potencial. Deve procurar desacomodar o alfabetizando fazendo que o mesmo procure uma nova base em que se firmar, se reestruturar e construir um novo processo de acomodação (Piaget). Embora não haja um manual de como agir num processo de alfabetização, seja de cegos ou videntes, há, isso sim, alguns elementos que podem auxiliar nessa ação e que por muitas vezes se fazem essenciais na construção da leitura e da escrita. 

A criança deve contar com a aplicação de estratégias ou técnicas específicas para a estimulação visual, orientação e mobilidade, bem como para leitura, escrita e cálculos com materiais específicos e adaptados às suas limitações e, sobretudo, deverá contar com uma intervenção precoce iniciada o mais cedo possível, seja em casa ou na escola.(Martin – Necessidades Educativas Especiais). 

Para dar inicio à construção da alfabetização é preciso que esse alfabetizando passe por uma estimulação visual onde “aprenderá a ver” a partir de diferentes tarefas cognitivas e sensoriais, tais como:

· Tomar consciência de seus diferentes sentidos,
· Preparação para formas,
· Discriminação e reconhecimento de diferentes relevos,
· Memória e organização “visual”.

A criança cega, em processo de alfabetização necessita experiências físicas diretas com objetos que a rodeia, principalmente com os objetos de ‘escrita em branco’: o punção, a reglete, máquina de escrever, textos em relevo, ábacos, símbolos da escrita em formas táteis... A escola deverá levar ao aluno opções diversas de materiais didáticos-pedagógicos. A aprendizagem das técnicas de leitura e escrita no sistema Braille, dependem do desenvolvimento simbólico, conceitual, psicomotor e emocional da criança. Essa evolução satisfatória nem sempre se dá de forma espontânea para a criança cega. Daí a necessidade de prestar especial atenção às habilidades e necessidades do aluno cego antes de decidir o momento de ensinar o ensino da simbologia. Gostaria de mencionar, de forma bem sucinta, os fatores que interferem na aprendizagem da leitura e da escrita Braille:

- organização espaço-temporal;- interiorização do esquema corporal;
- independência funcional dos membros superiores;- destreza manual;- coordenação bimanual;
- independência digital;- desenvolvimento da sensibilidade tátil;
- vocabulário adequado a idade;- pronúncia correta (diferenciação de fonemas similares);
- compreensão verbal;- descriminação auditiva;
- motivação ante a aprendizagem;- nível geral de maturação.

Quanto ao método utilizado para alfabetizar dadas as particularidades do ensino do sistema Braille creio que o professor pode fazer sua opção, conforme o estilo “perceptivo do aluno”. Levando em consideração os fatores mencionados anteriormente, entre outros. O método fonético ou sintético tem por objetivo básico ensinar ao aluno o código ao qual os sons são convertidos em letras ou grafemas ou vice-versa, separando inicialmente a leitura e o significado. Decifrar o sistema Braille é uma decodificação de natureza perceptivo-tátil e não garante aprendizagem conceitual e interpretação necessária ao processo de leitura. Já o método silábico ou alfabético, as sílabas são combinadas para formar palavras. Em geral, quando se ensina por esse método, inicia-se por um treino auditivo, por meio do qual o aluno é levado a perceber que as palavras são formadas por sílabas ou por grupos consonantais. A partir daí o aluno assimila a forma gráfica da sílaba a qual atribui o devido som. Nesse método apresenta-se inicialmente a família silábica, em seguida, palavras, frases e textos. Para ambos os métodos deve-se propor conteúdos significativos adequados à idade, visto que a leitura, como instrumento de comunicação e de informação, será mais tarde estimulante e motivadora por si mesma. 
Durante o período de alfabetização, o aluno focaliza mais sua atenção na interpretação dos significados e nos aspectos formais da mensagem escrita. Por isso, durante essa primeira etapa as palavras e as frases que se apresentam têm de ser curtas e carregadas de um conteúdo emocional que suponha um reforço imediato ao esforço realizado. As mensagens devem apresentar-se com palavras que já tenham sido trabalhadas oralmente pelo aluno e com estruturas linguísticas familiares para ele. 

Em relação a seqüência de apresentação das letras, deve-se levar em consideração as dificuldades específicas do sistema Braille, a semelhança de símbolos, a reversibilidade, assimetria, dificuldades de percepção de cada fonema. Alguns alunos podem mesmo não aprender a ler e escrever. Isso é possível nos casos de alunos que possuem deficiências associadas a DV. Outros podem adquirir com mais lentidão a habilidade de leitura (que será desenvolvida com a prática) e escrita. Educar uma criança cega não é uma missão fácil. 

O profissional que pretende entrar neste campo de ensino, precisará saber que a criança cega ou baixa visão, é um ser que se desenvolve, que constrói, que aprende. Mas, ela apresenta necessidades específicas que reclamam um atendimento especializado e basicamente dirigido a essas especialidades. Seu crescimento efetivo dependerá exclusivamente das oportunidades que lhe forem dadas, da forma pela qual a sociedade a vê, da maneira como ela própria se aceita. 

Portanto, não há uma receita pronta e infalível para educar uma criança cega. O professor tem de conhecer o aluno que tem diante de si o sobre o qual recai sua atenção a ação pedagógica. No preparo e na coerência da prática docente pode-se encontrar soluções para grandes problemas.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

       


HOMENAGEM AO DIA MUNDIAL DO PROFESSOR
DIA 05 DE OUTUBRO


      
        Ontem dia 5 de outubro de 2014, marcou o 20º aniversário do Dia Mundial do Professor. Uma data que vem assegurar aos professores seu real significado para uma educação universal de qualidade e equidade para todos, sem distinção de cor, raça, religião. 
        Tornando-se, cada vez mais conscientes, do quão é importante na constituição das mentes e caráter das próximas gerações, para lidar com os desafios vivenciados, e que estão por vir. Estando sempre em busca de um ensino que seja inovador, extremamente inclusivo, em prol não apenas de sua satisfação, mas, sobretudo, sentir-se valorizado, e ter seu reconhecimento diante de uma carreira, que ora, faz-se importante e precisa, ora, é vista como desnecessária, e sem significância.
        Por fim, esta data designada pela UNESCO em 1994, tem por intuito evidenciar o papel constitucional e primordial dos professores na instrução e consolidação da sociedade.

      Parabéns, a todos que diante de várias profissões, propuseram o ensino como forma de vida e que consagram o seu cotidiano a ensinar, crianças, jovens e adultos.

sábado, 9 de agosto de 2014



Aos Pais!


"Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar" DALAI LAMA

Feliz Dia dos Pais sinalizado.






DISFONIA INFANTIL

A disfonia é um distúrbio de voz de origem orgânica ou funcional que afeta o timbre, intensidade, extensão e duração da voz. Sua característica essencial é a rouquidão do timbre de voz.
O discurso é forçado com tensão excessiva nos músculos da face, pescoço, ombro e/ou no peito. A respiração é muitas vezes superficial torácica e fluxo de ar exalado é fraco.
As formas mais comuns de disfonia infantil são:
· Laringite funcional: que são condições inflamatórias, doenças reumáticas,  estresses ambientais, irritação e abuso excessivo da laringe que causa rouquidão  progressiva da voz  tornando esta prejudicada e alterações na altura (baixo) e intensidade que esta ocorre.
· Vocal:  rouquidão causada por imitar adulto, gritos excessivos, temperamentos agressivos e comportamento hiperativo em atividades coletivas. Há hipotonia das cordas vocais e a voz é hipolaringea. A respiração é difícil e a voz é limitada com notas baixas;
· Voz agravada:  por doença pulmonar, inflamação da laringe, imitação de padrões de fala familiares, temperamento dramático ou timidez excessiva. Há sensação dolorosa na região. A voz é muito grave em relação à constituição do sujeito, é uma espécie de rouquidão crônica;
· Nódulos:  causados pelo abuso vocal, processos inflamatórios crônicos das vias aéreas, irritações e agressões ambientais;
· Pólipos na laringe:  causados pelo abuso prolongado.
Os sintomas são rouquidão, perda de ar e esforço fonatório. O diagnóstico é feito por um otorrinolaringologista através do exame de laringoscopia de fibra óptica ou de laringe estroboscopia (observação de movimento mais lento das cordas vocais).
A laringe devem ser investigada antes do desenvolvimento do plano de tratamento.
As dificuldades de fonação características da criança são:

· Voz forçada e forçada com sons inaudíveis, respiração ruidosa e fadiga vocal;

· Esforço excessivo para falar;
· Incoordenação motora sobre os órgãos de articulação e respiração;
· A voz é monótona e existe a falta de harmônia;.
· Fluência é muito rápido e irregular;
· A voz é reduzida a algumas notas e soa muito séria.
Existe um esforço desproporcional na conversa que provoca a redução do discurso. O final das frases são inaudíveis, sem fôlego e com redução das palavras..
São mais propensas:
· Crianças com caráter hiperativo, propensas a jogos físicos violentos;
· Os pais com disfonia crônica com possível imitação do modelo por parte da criança;
· Crianças com alto risco de crianças distúrbios otorrinolaringológicos (rinite, otite de repetição, laringite);
· Crianças com distúrbios pulmonares (asma, tosse convulsa, bronquite, gripe);
· Crianças com histórico cirúrgico (amigdalites e adenoides) e cirurgia torácica;
· Crianças com históricos de nódulos.
Os critérios para o diagnóstico são: rouquidão da voz, muitas vezes por longos períodos de tempo, fadiga vocal, episódios dolorosos e  dificuldades de fonação comuns como calos e nódulos nas cordas vocais, e tom de voz agravado em relação à constituição e idade da criança.
Os pais podem auxiliar os seus filhos tendo os seguintes cuidados:
· Impedir a criança de gritar. Ensine ele a conversar com as pessoas quando elas estão ao seu redor;
· Não deixe seu filho imitar vozes ou sons;
· Não deixe ele fazer sons como de um pigarro, espirrar ou tossir quando tem a sensação de “dor de garganta”. Experimente, em vez disso, exercitar as pregas vocais marcando o som / u;
· Não deixe ele falar e fazer exercício ao mesmo tempo/
· Evite fumar na frente de seu filho;
· Não use balas para aliviar o desconforto;
· Não deixe ele ingerir bebidas muito frias; alimentos quentes ou picantes e nozes;
· Evite mudanças bruscas de temperatura (ar condicionado ou aquecimento acima da temperatura). Use agasalhos para as mudanças bruscas de temperatura;
· Ensine-o a evitar uma conversação contínua prolongada. Ensine-o a fazer pausas na conversa e a  realizar repouso vocal sempre usando água potável para manter a região hidratada;
· Evite áreas com ruído ambiente elevado (por exemplo, televisão, música no carro) que faz o indivíduo forçar a voz para ser ouvido. A criança vai  tentar falar mais alto do que o nível de ruído ao seu redor;
· O tratamento com fonoaudiólogo é muito importante e, no casos de adultos, deve ser feito treinamento respiratório, a fim de facilitar um tipo adequado de respiração que irá evitar esforço excessivo das cordas vocais.
Abaixo temos alguns links interessantes para entender melhor a disfonia:
DOUTOR LUIZ A. CANTONI – OTORRINOLARINGOLOGISTA FONIATRA
Fonte: http://atividadeparaeducacaoespecial.com/inclusao-disfonia-infantil/




                                    

Transtorno de Conduta


O transtorno de conduta consiste em um conjunto de comportamentos que incomodam e perturbam, além do envolvimento em atividades perigosas e até mesmo ilegais. É um dos transtornos psiquiátricos mais frequentes na infância sendo mais comum no sexo masculino e em crianças acima dos dez anos e também um dos maiores motivos de encaminhamento ao psiquiatra infantil. Pode-se dizer que é uma espécie de personalidade antissocial (ver: Transtorno da personalidade antissocial) na juventude. O transtorno de conduta em crianças e adolescentes aumenta o risco para diversos transtornos psiquiátricos que se iniciam na idade adulta, incluindo: fobia, pânico, depressão, uso abusivo de álcool e esquizofrenia. Esse transtorno está associado a TDAH e a transtornos das emoções (ansiedade, depressão e obsessão-compulsão). A idade do surgimento dos sintomas vai determinar o tipo de tratamento e a gravidade dos comportamentos ao longo do desenvolvimento da criança ou adolescente. 
De acordo como os critérios do DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 4º Ed), o transtorno da conduta aplica-se a indivíduos com idade inferior a 18 anos e requer a presença de pelo menos três desses comportamentos nos últimos doze meses e de pelo menos um comportamento antissocial nos últimos seis meses, trazendo limitações importantes do ponto de vista acadêmico e social. Os critérios incluem 15 possibilidades de comportamento antissocial:

  • frequentemente persegue, atormenta, ameaça ou intimida os outros;
  • frequentemente inicia lutas corporais;
  • já usou armas que podem causar ferimentos graves (pau, pedra, caco de vidro, faca, revólver);
  • foi cruel com as pessoas, ferindo-as fisicamente;
  • foi cruel com os animais, ferindo-os fisicamente;
  •  roubou ou assaltou, confrontando a vítima;
  • submeteu alguém a atividade sexual forçada;
  • iniciou incêndio deliberadamente com a intenção de provocar sérios danos; 
  • destruiu propriedade alheia deliberadamente (não pelo fogo);
  • arrombou e invadiu casa, prédio ou carro; 
  • mente e engana para obter ganhos materiais ou favores ou para fugir de obrigações;
  • furtou objetos de valor;
  • frequentemente passa a noite fora, apesar da proibição dos pais (início antes dos 13 anos);
  • fugiu de casa pelo menos duas vezes, passando a noite fora, enquanto morava com os pais ou pais substitutos (ou fugiu de casa uma vez, ausentando-se por um longo período);
  • falta na escola sem motivo, matando aulas frequentemente (início antes dos 15 anos).

Esses jovens não apresentam sofrimento psíquico ou constrangimento com as próprias atitudes e não se importam em ferir os sentimentos das pessoas ou desrespeitar seus direitos.
O tratamento se baseia em intervenções junto à família e a escola, psicoterapia individual e familiar, todas em conjunto para um melhor resultado. 
Uso de medicamento é necessário quando existe a presença de agressões, paranóias e TDAH (ver:TDAH). Dentro da abordagem cognitiva o objetivo da terapia é melhorar habilidades para resolver problemas, habilidades de comunicação, controle de impulso, e habilidades de gerência da raiva.
As causas são diversas, entre elas a vulnerabilidade da personalidade, estressores sociais e a relação conflituosa entre pais e filhos são as mais evidentes. O ambiente familiar, portanto, é muito importante na prevenção do desenvolvimento desses comportamentos de conduta, tanto quanto o olhar dos pais para um tratamento precoce com o intuito de evitar maiores prejuízos futuros.


Fonte: Beck, A.T.; Freeman, A. - Terapia cognitiva dos transtornos de personalidade. Artes Médicas, Porto Alegre, 1993. (Original publicado em 1990).
Diagnnóstico e estatístico de transtornos mentais. 4a edição. Porto Alegre: Artes Médicas; 1995
SILVA, Luna Rodrigues Freitas. Transtorno da conduta: uma oportunidade para a prevenção em saúde mental?. Interface (Botucatu) [online]. 2011, vol.15, n.36, pp. 165-173. ISSN 1414-3283.  http://dx.doi.org/10.1590/S1414-32832011000100013. 
BORDIN, Isabel AS  and  OFFORD, David R. Transtorno da conduta e comportamento anti-social. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2000, vol.22, suppl.2, pp. 12-15. ISSN 1516-4446.  http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462000000600004.
Fonte: http://aterapiacognitiva.blogspot.com.br/2013/02/transtorno-de-conduta.html



MUTISMO SELETIVO

Pode ser definido como portadores de mutismo seletivo algumas crianças que apresentam dificuldades em se comunicar,verbalmente, em ambientes estranhos e situações e/ou com pessoas pouco conhecidas de seu meio social.
Esta definição indica, em primeiro lugar, que as crianças com mutismo seletivo tem uma competência linguística e comunicativa intacta mas não conseguem utilizá-la em todos os ambientes sociais.
O mutismo seletivo envolve altos níveis de sofrimento pessoal, levando a problemas de adaptação ao meio ambiente devido a sua recusa em falar com os outros em todos os setores sociais.

Muitas vezes eles são confundidos como tímidos, retraídos socialmente, dependentes, perfeccionistas e a falta de tratamento pode agravar o problema..
A análise do quadro clínico deve ser feita com base nos aspectos qualitativos e quantitativos observando-se a presença ou ausência de comportamentos associados a inibição e ansiedade.
Os métodos para detectar a presença de qualquer um desses fatores são baseados na observação sistemática, no registro de comportamentos comunicativos verbais e na análise da inibição ou ansiedade que o aluno  manifesta nos ambientes usuais e com diferentes parceiros.

Para ajudar a identificação na escola, podemos levar em conta o seguinte formulário:
  • Nunca fala no ambiente escolar?
  • No ambiente escolar fala apenas em algumas situações?
  • Chega a falar com adultos na escola?
  • Fala com apenas alguns adultos na escola?
  • Nunca fala com as outras crianças na escola?
  • Fala somente com alguns colegas da classe?
  • Manifesta ansiedade em situações de interação verbal e contato corporal colocando os dedos na boca ou manifestando movimentos tensos?
  • Demonstra rigidez na sua postura usual com costas e pescoço muito retos, braços para baixo paralelo ao corpo e/ou boca apertada?
  • Demonstra rosto e corpo sem expressão com gestos faciais muitas vezes sem sorrisos e sem exibir muitos gestos com as mãos e o corpo?
  • Demonstra comportamento de evitar a interação social olhando para baixo e evitando o contato físico?
  • Evita situações socias como não ir ao banheiro com outras pessoas, ficar sozinho no recreio ou não realizar algumas atividades em sala de aula?
  • Encontra-se sempre atrasado na realização das tarefas escolares?
  • Não toma iniciativa para pequenas responsabilidades como coletar e distribuir materiais?
  • Não participa espontaneamente da dinâmica da sala de aula fazendo tarefas voluntariamente e levantando a mão para tirar alguma dúvida?
  • Não realiza atividades de dramatzação ou leitura em voz alta?
A Associação Psiquiátrica Americana (APA) em seu manual para o Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-IV (TR) indica que para o diagnóstico diferencial de mutismo seletivo deve levar em conta uma série de critérios tais como:
  • Não falar com estranhos e pessoas da escola mas falar normalmente com os pais e familiares;
  • A perturbção interfere no rendimento escolar e na comunicação social onde não aprendem apesar de terem as habilidades intelectuais necessárias. A falta da linguagem interfere na aprendizagem;
  • Os sintomas devem ter a duração mínima de um mês pois é normal que alunos, em situações novas, tenham dificuldades para se soltar principalmente se estiverem nos primeiros anos de escolaridade. Para evitar falsos diagnósticos, é aconselhável analisar o seu comportamento no primeiro trimestre escolar;
  • A incapacidade de falar não é devido a falta de conhecimento ou fluência da linguagem falada;
  • A perturbação não é explicada pela esquizofrenia ou outro transtorno psiqiuiátrico que requeram a intervenção de profissionais da saúde mental. Além disso, devemos analisar se os sintomas não são decorrência de problemas emocionais decorretes de eventos traumáticos, desagregação familiar, luto, abuso, maus tratos e estresse pós traumático.
Podemos auxiliar o indivíduo com ações como:
  • Não superproteger, ignorar ou minimizar o problema pois só vai aumentar o silêncio;
  • Planejar situações comunicativas, sem pressão, que garantam as trocas com outras pessoas;
  • Realizar atividades em que ele seja capaz de interagir verbalmente com adultos e crianças no ambiente escolar e familiar pela realização de solicitações verbais e espontâneas que os levem a responder perguntas solicitadas;.
  • Oferecer um ambiente seguro, sereno, compreensivo, carinhoso e sem pressão;
  • Evitar um estilo rígido e uma demanda excessiva pela perfeição;
  • Desenvolver bons hábitos de rotina que levem a autonomia em relação a higiene, alimentação e vestuário;
  • Apostar em atividades físicas que ajudam a diminuir a tensão;
  • Ensinar comportamentos de interação social verbal e não verbal como dizer oi ou abanar ao chegar;
  • Reforçar as abordagens verbais e não verbais salientando como é bom sentar com os colegas, fazer amigos e ir aumentado o grupo gradativamente;
  • Excluir, do seu repertório, comentários vinculados ao não falar e, no lugar, questionar o aluno sobre as situações em que fala perguntando, por exemplo, se ele gosta de cantar músicas. Isto vai mostrar. para ele, que você acredita que ele pode falar;
  • Não puna ele por não falar em sala de aula, com atitudes como já que você não leu o texto, na hora do recreio vai ficar lendo para mim;
  • Não antecipe  situações desagradáveis por não falar, ou seja, se não ler vai ficar na hora do recreio lendo para mim;
  • Não compare ele com os colegas;
  • Não force ele a falar em situações sociais. Tenha claro que este indivíduo tem um medo exagerado de falar;
  •  Atribua pequenas tarefas para ele cumprir com entregar os cadernos, folhas e outras que, inicialmente, não exijam tanto da fala e depois vá introduzindo tarefas com com pouca comunicação aumentando gradativamente;
  • Use jogos de produção de sons corporais como bater palmas, pés e outros;
  •  Crie jogos, em pequenos grupos, onde as respostas da criança tenham que ser dadas com uma única palavras. Depois aumente a dificuldade a partir do momento que a criança de sentir segura com esta situação.
FONTE: http://atividadeparaeducacaoespecial.com/category/disturbios-na-aprendizagem/


INCLUSÃO: TDAH NA ESCOLA

TDAH tem uma origem neurobiológica sedo um  transtorno que começa na infância e é caracterizada por três principais sintomas: dificuldades de atenção e concentração. Hiperatividade e impulsividade.
A criança, com este transtorno, não consegue sustentar a atenção durante um longo período de tempo, tende a transformar os seus desejos em ação de forma imediata, sem pensar, e uma agitação excessiva.
No DSM IV, o TDAH está classificado nos transtornos mentais e a  APA (American Psychiatric Association), coloca este na seção de distúrbios e comportamento de déficit de atenção.
De acordo com esta classificação, três subtipos de TDAH são definidas de acordo com a apresentação sintomática predominante, ou seja, o tipo com déficit de atenção, o tipo de impulsividade e hiperatividade e o  tipo combinado, em que ambos os sintomas de desatenção, impulsividade-hiperatividade predominam.
A característica essencial do TDAH é o freqüente e grave padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade que é  diferente daquele observado em indivíduos de um nível semelhante de desenvolvimento.
De acordo com o DSM-IV, para o diagnóstico de TDAH em qualquer categoria, deve-se notar que algum prejuízo causado pelos sintomas está presente em dois ou mais configurações (por exemplo, em casa e na escola).
Os sintomas devem estar presentes antes dos 7 anos e deve haver claras evidências de prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional, ou seja, os sintomas interferem significativamente com a vida da pessoa.
Os sintomas de déficit de atenção abrange aspectos como:
  • o fato de não dar muita atenção a detalhes ou cometer erros por descuido em trabalhos escolares;
  • têm dificuldade em manter a atenção em tarefas ou jogos;
  • parece não escutar quando lhe dirigem a palavra;
  • não seguem instruções e não terminam atividades escolares, tarefas domésticas ou deveres no local de trabalho;
  • tem dificuldade para organizar tarefas e atividades;
  • evita ou não gosta de tarefas que exigem esforço mental sustentado (como escolares);
  • muitas vezes perdem brinquedos, lápis, livros ou ferramentas necessárias para tarefas ou atividades;
  • se distraem facilmente, muitas vezes mostrando-se esquecido nas atividades diárias.
Os sintomas de hiperatividade englobam:
  • jogar com as mãos ou os pés ou se remexer na cadeira;
  • deixar o seu lugar quando o que se espera que fique sentado;
  • correr ou escalar em situações inadequadas;
  • têm dificuldade em jogar tranquilamente e respeitar regras durante os jogos;
  • muitas vezes fala muito;
  • ou age como se estivesse “a todo vapor”.
Os sintomas de impulsividade englobam:
  • o fato de  emitir respostas antes de terminar de ouvir a pergunta;
  • tem dificuldade para aguardar sua vez;
  • interrompe ou se intromete na conversa dos outros.
A intervenção educativa deve pretender alcançar o desenvolvimento máximo de suas competências, o equilíbrio pessoal mais harmonioso, o  bem-estar emocional e o estabelecimento de relações significativas.
Para diagnosticar o TDAH teos que estar atentos aos seguintes aspectos:

- Necessidade de movimento contínuo;

- Erros repetidos nas atividades escolares;por omissão ou adição de letras e palavras, substituição de uma palavra por outras;

- compreensão oral e escrita limitadas;

- rejeição a atividades que exijam esforço mental;
- inconsistência nas respostas das atividades escolares causando um desempenho escolar irregular (um dia responde certo e no outro não);
- desorganização das tarefas pela impulsividade e pelo fato de responder antes de escutar a pergunta;
- desempenho escolar menor do que o esperado para a sua capacidade aparente;
- em atividades de corrida pode apresentar movimentos irregulares, batem nas coisas com facilidade e são desorganizados.
Os alunos com TDAH necessitam de mudanças estruturais no ambiente educacional. Para ajudá-los devemos:
- Repetir os procedimentos com alguns padrões de freqüência, certificando-se que o aluno compreendeu o que foi solicitado;
- Tente agendar e realizar possíveis “rotinas” que permitam ele se sentir seguro como agendas e calendários;
- Tentar transmitir a importância de ter um horário de término das atividades intelectuais;
- Dar tarefas fragmentadas, em curtos períodos de tempo, para aqueles que apresentam problemas com o nível de atenção e de concentração;
- Utilizar pistas visuais para lembrar a seqüência de processos como adesivos de cor;
- Pedir para o aluno ajudar na organização da classe dando  a possibilidade de se movimentar de forma orientada e supervisionada;
- Encontrar um parceiro ordenada e atencioso com quem ele possa se conectar bem e agir como uma referência quando necessário;
Tenha em mente os seguintes aspectos:
- Pense na possibilidade de TDAH quando um aluno não executa alguma atividade no nível que aparentemente ele poderia fazer;
- Pense que, por vezes, o aluno não pode fazer as coisas melhor porque não pode e não porque não quer;
- Tente identificar o tipo predominante de inteligência do aluno e qual é o modelo aprendizagem que funciona melhor para você implementar medidas neste sentido;
- Tente encontrar os aspectos positivos do aluno e mostre para ele o seu valor;
- Encontrar um sinal “privado” entre você e o aluno para indicar que ele está se comportando de forma inadequada e isso tem que parar;
- Saliente sempre as atitudes corretas que ele teve e os seus progressos;
- Negocie com ele objetivos específicos, dando-lhe a chance de ganhar prêmios que possam motivá-lo;
- Permita que ele participe regularmente, em sala de aula, de atividades que você tenha certeza que ele pode se dar bem;
- Ao falar com ele tenha certeza de que ele está prestando a atenção;
- Use mensagens curtas, simples e diretas;
- Convide ele a refletir sobre o seu comportamento, as causas e consequências;
- Evite a punição, mas se eu tiver que chegar a uma, leve ele para outro lugar e de tempo para ele refletir sobre o seu comportamento;
- Evite colocá-lo em evidência a frente dos outros e recriminá-lo publicamente.