domingo, 27 de março de 2011

Eduard Huet

Nasceu em Paris, França, no ano de 1822, Eduard Huet, cuja família pertencia à nobreza daquele país. Aos doze anos ficou Surdo em conseqüência de sarampo. Embora já falasse francês, alemão e português, após tornar-se Surdo, aprendeu espanhol, além de ter estudado no Instituto Nacional de Surdos de Paris, onde se formou professor. Na França, Huet foi professor e diretor do Instituto de Surdos de Bourges. Pertencia à nobreza, era Conde. Casou-se em 1851 com uma dama alemã chamada Catalina Brodeke e emigrou para a Corte Portuguesa no Brasil em 1855, mesmo ano em que fundou a Escola do Rio de Janeiro para a educação de Surdos, a instâncias do Imperador Dom Pedro II, sendo diretor e professor.Naquela época, segundo Adalberto Ribeiro, numa reportagem publicada na Revista do Serviço Público em 1942, Huet tinha como principal propósito a fundação de uma escola de surdos, pois era "levado por sentimentos de solidariedade humana, cogitou, por sua vez, a fundação de uma casa de ensino e abrigo para seus companheiros surdos-mudos". Naquele tempo, no Brasil, não havia uma idéia pública acerca da educação dos surdos e, inclusive, as famílias relutavam em educá-los, dificultando a Huet concretizar seu propósito. Por ter trazido uma carta de recomendação do Ministro de Instrução Pública da França, no entanto, ele foi apresentado ao Reitor do Imperial Colégio, Dom Pedro II, que lhe abriu as portas para criar a primeira escola de surdos no país (atual Instituto Nacional de Educação de Surdos - INES), porém também não podemos nos esquecer de que, para desenvolver o seu trabalho, o professor Huet contava com o auxílio da nobreza ligada ao governo. Em janeiro de 1856, apresentou o programa para a educação de surdos e, dois anos mais tarde, apresentou os seus sete alunos ao imperador e realizou o exame público de seus alunos, de acordo com os moldes daquela época, entusiasmando o público que assistiu, frente aos resultados que eles alcançaram. Logo em seguida, em 1861, abalado em razão de haver se separado de sua esposa, reconheceu que não podia continuar à frente do Instituto de Surdos-Mudos e decidiu vender seus direitos ao então Imperador D. Pedro II, sendo que, naquela época, já existiam dezessete alunos estudando no Instituto. Em 1865, o governo do Presidente Juarez enviou uma carta, para a cidade do Rio de Janeiro, ao Sr. Luis G. Villa y Alacazar, convidando o Professor Eduardo Huet, diretor da Escola de Surdo dessa cidade, a ir à Cidade do México com o objetivo de organizar e dirigir uma escola para Surdos, oferecendo-lhe todas as facilidades e apoio para realizar tal tarefa. Dom Eduardo Huet aceitou o convite com entusiasmo e mandou seus filhos à França, onde continuariam sua educação, como era costume na época. Sua filha iria para um convento e seus filho estudaria com os irmãos maristas. Chegou ao México no começo de 1866 e encontrou o panorama político mudado. A escola começou com a inscrição de três crianças. Dizem as crônicas que, em janeiro de 1867, as três crianças foram apresentadas em exame público, com a presença de autoridades da cidade, dos vereadores e dos particulares que financiavam o projeto. O exame foi classificado de notável, visto que em pouco tempo as crianças davam sinais de inteligência.